16 de dez de 2008

Redação da UNESP

O tema era "O homem: inimigo do planeta?".

"O homem é bastante novo, se comparado à idade do planeta Terra. Pormuito tempo houve vida sem a sua presença, o que leva a crer que seu desaparecimento nao seria o fim do mundo. o contrário, entretanto, não se aplica: sem a Terra, o homem não sobrevive.

Esta noção vem afetando cada vez mais o modo de pensar e viver da humanidade. sendo a única espécie a usar recursos não-renováveis, e causando impacto suficiente para mudar o clima mundial, o homem passou a receber respostas mais diretas para a sua relação predatória com o planeta: furacões, terremotos, derretimento de geleiras, desabamentos e desertificações por todo o globo. Nos perguntamos, então, quanto tempo levará para a Terra se sentir obrigada a nos extingüir.

Alguns pessimistas criticam a "inteligencia" humana e acreditam já não haver caminho de volta. No entanto, essa inteligência é o unico recurso que possuímos para reverter a situação - basta que assim desejemos.

A principal saída é o desenvolvimento sustentável. Em outras palavras, criar uma sociedade menos pautada pelo consumo e em maior sintonia com a vida ao seu redor, o que evitaria uma sobrecarga.

São medidas que necessitam de tempo e conscientização a nível mundial, mas são necessárias para se reestabelecer uma relação harmonica com o planeta. Nosso atual papel de "inimigo predador da natureza" nos renderá apenas a extinção. Ao contrário de nós, a Terra continua."


Estou aceitando opiniões, correções e etc.

12 de dez de 2008

Capitu


Do mesmo modo como eu não vou ao cinema com um pé atrás porque o filme a ser assistido ganhou um óscar, nem deixo de ler livros porque são best-sellers ou julgo um artigo jornalístico ruim antes de lê-lo só porque este foi publicado na Veja, é claro que eu não faria qualquer pré-julgamento sobre a minissérie baseada no livro de Machado de Assis só porque esta seria exibida pela rede globo.


Desde a primeira chamada, "Capitu" me chamou a atenção. A proposta artística me pareceu muito boa. De fato, logo no primeiro capítulo, já foi perceptível que o diretor optou por manter o relato na voz do próprio Dom Casmurro, mantendo também seu tom introspectivo, por vezes irregular, crítico e claramente unilateral.


Confesso que, quando li o livro, em nenhum momento me veio à cabeça personagens tão caricaturados. Mas obras audiovisuais normalmente primam pelo exageiro em relação às literarias, pois é a forma mais segura de garantir que a expressão do livro seja passada adiante. Particularmente, eu achei o recurso bastante condizente com a proposta do diretor. Pode não ter sido a melhor maneira de transmitir a fina ironia machadiana, mas foi uma saída válida.


Gostei muito da narração não primar pela verdade absoluta dos fatos, mas guiar-se pela perspectiva de Bentinho. Afinal, é isso que temos durante todo o livro.


A clara diferença entre bentinho adulto/bentinho jovem, os momentos em que os dois são postos juntos em cena, a divisão dos capítulos (sem que um comece necessariamente de onde o anterior parou) foram alguns pontos que eu achei muito bem trabalhados.


Quanto aos personagens, o Bentinho narrador, adulto, como eu já disse, fugiu às minhas expectativas. Mas na obra como um todo, ajudou a manter seu caráter irônico.

Em especial, a prima Justina e o Cônego Dias ficaram exatamente aquilo que eu imaginara dos dois. Para mim, as melhores caracterizações.


Não sei ainda como será o fim da minissérie, e como o diretor pretende mostrar a parte da traição - pois pra mim, ela em si é secundária. A história é sobre um homem confuso com suas percepções distorcidas, e não sobre uma traição. Mas não vamos esquecer que o nome da obra é "capitu", e não "Dom casmurro". Eu esperaria que, em algum momento, a narrativa fugisse um pouco ao livro, no sentido de entranhar-se na perspectiva de Capitu, o que eu acharia bastante interessante, mas não sei se ocorrerá.


De qualquer maneira, registro meus elogios até agora para os produtores de arte e para o diretor. De forma geral, estou gostando muito da minissérie. Aguardo pelos próximos dois capítulos.



(obs: não me perguntem o porquê dos olhos. Sempre tive fascínio pelos olhos da capitu, e essa foi uma boa imagem, ao meu ver.)

3 de dez de 2008

Like a call

Sabe quando você quer muito algo, não vê a hora de acontecer, quebra todas as regras para chegar aonde você quer e, quando você chega, você pára e se pergunta "ok... e agora?"?

Eu acho que esse vídeo expressa exatamente essa sensação.

24 de nov de 2008

Juntos e sós


"Tudo entrou em minha vida tão naturalmente, teria sido muito estranho caso eu não tivesse me apaixonado por você. Tão efêmero quanto deve ser, e tão intenso, eu não imagino outro curso de vida. Tanto quanto eu anseio por te encontrar e aproximar nossos corpos no máximo que a situação me permite, eu mal posso esperar para dizermos nosso último adeus, quando eu estarei protegida entre seus braços pela última vez, e nós não nos encontraremos novamente. Simples como deve ser, nós fomos feitos para não sermos um do outro."


Eu gosto de digitar coisas como "alone together" no google e ver as imagens que aparecem, e essa em especial me chamou muito a atenção. Foi coincidência, acho, que eu escrevi isso ontem à noite, e achei algo que ilustrasse perfeitamente o que eu queria dizer.


Queria muito descobrir o autor da imagem. Alguém tem idéia?

18 de nov de 2008

Mudanças


As chuvas de Novembro sempre foram esperadas. Ela ansiava desde Março por uma mísera precipitação que pudesse apaziguar o calor que já se tornara quase insuportável.


Contava os dias, as horas, as nuvens no céu. Fugia de qualquer índicio de sol, escondia-se nas menores sombras, encontrava qualquer refúgio que a fizesse esquecer do astro que brilhava, alheio à sua aversão. Seguia-a quando ela se refrescava na piscina, feliz por poder tocar seu corpo, mesmo que ela rapidamente mergulhasse nas águas, o mais longe possível dele. Ia recepcioná-la após cada banho, em cada amanhecer e permanecia ao seu lado até o anoitecer, mesmo que tão indesejado.


Encolhida em alguma sombra, ela por vezes chorava, clamando alguma paz, algum espaço sem aquela luz e aquele calor sufocantes que cismavam em acompanhá-la. Em seu desespero, só o que a acalentava era pensar nas chuvas de Novembro que logo chegariam.
Conforme foi chegando o mês de Agosto, o sol já sabia que era questão de tempo para tudo mudar. Seu brilho ia diminuindo aos poucos, a medida que as nuvens iam se tornando mais freqüentes. Ela já saía de casa mais feliz, com a expressão vitoriosa, sabendo que o ansiado Novembro se aproximava.

O primeiro dia inteiramente nublado, no mês de Outubro, coincidiu com seu aniversário. Nada poderia tê-la feito mais feliz naquele momento. A breve experiência de uma tarde em claridade deixara-a ainda mais ansiosa. Continuava sua espera pelo mês das chuvas.


O sol encontrava-se mais triste do que nunca. Não apenas porque ele queria continuar acompanhando-a, mas também porque ele percebera o quanto ela desejava sua ausência. Não que se sentisse magoado ou ofendido, apenas temia por ela. Sua experiência o dizia que ela não sabia ao certo o quê viria pela frente. Ela querer-lhe-ia ainda, ele estava certo disso, mas não queria que sua menina sofresse.


Foi pouco antes das primeiras chuvas que ela percebeu: não tinha qualquer tipo de roupa de frio, simplesmente não era preparada para viver aquilo. Enquanto se concentrara em não suportar o sol, esqueceu-se de se preparar para quando ele a deixasse.
Mas, bem, isso não poderia ser de todo um problema. Afinal, finalmente, o mês das chuvas chegou!


Ele era um triste espectador de sua felicidade sob as gotas de chuva, tendo certeza de que, enquanto ela sorria, as gotas tentavam machucá-la. E logo conseguiriam.


Não demorou muito para que ela se sentisse incomodada. O vento forte tentava expulsá-la. A precipitação, cada vez mais forte, era agressiva em sua pele. Quando voltou para casa, torcendo a roupa encharcada, pegou-se pensando no sol, e no modo gentil como ele sempre a tocara. Descobriu que sentia saudades.


E Novembro finalmente havia chegado. Ela conseguira roupas, de modo a deixar sua pele mais dura sob as gotas agressivas, e conseguia passar pela estação das chuvas, indiferente, pois tinha certeza de que, alguns meses depois, o sol voltaria a tocá-la de maneira terna e delicada, ainda que fosse levar certo tempo para se reacostumar com aquela luz e aquele calor há tanto perdido.

4 de out de 2008

E o mundo, fica como?



Tudo bem que essa pergunta tem um quê de proposta de redação (e, bom, para ser bem sincera, em alguns aspectos, ela de fato o é), mas é algo que eu tenho me perguntado muito constantemente.

A formação de blocos entre países próximos, para mim, sempre foi um mal presságio. E a história mundial mostra-o bem fundamentado. Foi assim antes das primeiras grandes guerras: Cada qual procurando alguém com interesses semelhantes para se apoiarem mutuamente, e apenas esperando o estopim para atacarem o bloco rival.

Mudando para o contexto atual, o que se vê agora? Europa tentando aprovar uma única Constituição para todo o continente, enquanto a França denuncia leis de caráter xenofóbico; os EUA e a Rússia se armando até seus respectivos pescoços e até a América Latina entrou na dança, tentando aprovar uma espécie de OTAN sul-americana. Com tantos conflitos já acontecendo (iraqueafeganistãogeorgia e etc etc etc), eu me pergunto qual será o estopim para a terceira guerra mundial.

Remetendo à pergunta-título: e o mundo, fica como? Tenho minhas incertezas quanto a ele agüentar um novo conflito mundial. Com armas de maior poder de destruição e pessoas cada vez mais frias e individualistas, onde isso pode culminar?

Agora, em época de eleições, ser alguém solidário e preocupado com o próximo virou quase uma plataforma eleitoral, quando deveria ser uma característica básica de cada ser humano. E se a tendência é o descaso, este se aplica também ao mundo em que vivemos. Só não dá para adivinhar, ainda, se acabaremos em guerra ou em esgotamento de recursos naturais.

Lembrei de algo que minha mãe disse esses dias: o ser humano apresenta uma história extremamente cíclica. Tememos o mundo, até conseguirmos entendê-lo.. Então, julgamo-nos seres superiores. Daí a nos sentirmos no direito de destruí-lo, é um passo. E então passamos a temê-lo novamente. E o ciclo se repete.

No final das contas, o mundo fica. Não importa como, mas o mundo sempre fica. Quem corre o risco de ir somos nós, pois parece que o nosso tempo não aguentará muito mais.

De resto, bom domingo-de-eleições a todos.

30 de set de 2008

The other Boleyn girl


Ou "A outra", como ficou conhecido no Brasil o filme que conta a história de Ana e Maria Bolena, tão fiél à sua verdadeira história quanto um romance dessa magnitude pode ser.

Apesar de mostrar, com riqueza de detalhes, a relação das irmãs com o rei Henrique VIII da dinastia Tudor, a história foca, principalmente, na relação entre as irmãs, e como um sentimento de inocente afeto pode se transformar em mágoa, rancor, desejo de vingança, raiva e, por fim, remorso, gratidão e admiração.

Não sei se o termo "fatalidade" seria correto para designar o sentimento que surgiu entre Maria Bolena e Henrique VIII - não estou certa quanto a até que ponto a paixão é inevitável -, mas é palpável o incômodo da irmã pela traição a Ana. Para piorar a situação, Maria fica grávida do rei - o que era a grande questão do reino na época, já que sua esposa, Catarina de Aragon não lhe tinha dado qualquer herdeiro para o trono inglês.

Ana casa-se de forma inconstitucional com outro homem e consuma o casamento. A irmã toma conhecimento do fato, e Ana é mandada para a corte francesa para evitar um escândalo.

O filme desenrola-se, e o final todos sabem: Para casar-se com Ana (ignorando qualquer interesse econômico e mantendo somente o lado romântico da história), o rei divide o país, rompe com Roma, condena Catarina à morte sob falsa acusação de traição, cria a igreja Anglicana e nasce então a futura "rainha de ouro", Isabel, também conhecida por Elizabeth.

Insatisfeito, pois esperava um herdeiro homem, o rei usa o mesmo artifício que usara com Catarina: acusada de adultério e incesto, Ana é condenada à morte na guilhotina.
(curiosidade: o rei se deu ao trabalho de chamar um carrasco veneziano para operar a guilhotina que mataria Ana. Isso é que é dar trabalho até na hora da morte, huh?)
Uma das cenas mais emocionantes, para mim, é quando Maria, que vivia já fora do reino, volta para pedir pela vida da irmã. Horas antes de sua morte, há a reconciliação entre as duas.
O pedido, claro, é negado pelo rei, e Maria é condenada ao exílio. Elizabeth, que é então considerada ilegítima, vai ser criada pela tia ao lado do primo.

É extremamente trágico pensar no tanto que Ana cercou, por todos os lados, para se tornar rainha da Inglaterra, e acabou tendo o mesmo fim de Catarina. Sacrificou, inclusive, o bom relacionamento com toda a sua família, sobretudo com a irmã. A mesma que, no começo do filme, ela diz ser "mais jovem e mais bonita" que ela própria, com um tom de grande orgulho, e que, pouco depois, torna-se sua principal rival. Mas a admiração de Maria pela irmã é facilmente vista pela criação de Elizabeth, que além de ser a imagem e semelhança da mãe, quando rainha, defende com garras e dentes a religião que a colocou no poder.

Apesar de alguns exageros estratégicos (Ana calculista até o último suspiro e Maria inocente e bondosa), o filme faz jus à inteligência de Ana e à beleza da relação das irmãs, que ao final acaba predominando o afeto e a admiração. Impossível não se emocionar durante o discurso final de Ana, e do pânico que toma conta dela e da irmã quando vai chegando o momento derradeiro.

Com direção de Justin Chadwick e escrito por Peter Morgan, o filme conta com os expoentes britânicos Scarlett Johansson (como Maria), Natalie Portman (como Ana) e Eric Bana (como Henrique VIII) no elenco.

A fotografia não deixa a desejar (embora eu insista em reclamar cenas mais claras, eu sei que o sentimento de coisas acontecendo às escondidas o tempo todo não teria ficado tão bem trabalhado com muitas luzes em cima), e a trilha sonoa, apesar de não muito marcante, é bastante apropriada.

Uma ótica excelente para esse relacionamento tão polêmico até hoje entre as duas irmãs, e desenvolvido com muita perfeição. Vale a pena assistir.

29 de set de 2008

Post-estréia

Primeiro post do meu quinquanagésimo (dou-me ao direito de não-uso das tremas, tendo em vista a reforma na língua portuguesa recém-assinada pelo nosso caríssimo [sic] presidente da república) blog.

Pretendo fazer o máximo de jus possível ao nome, então a aleatoriedade dos assuntos aqui tratados será possivelmente uma constante.

Por hora, paro por aqui e vou ler mais um conto de "Sagarana".